domingo, 24 de fevereiro de 2013

Ensaio

Tem ator que não gosta de ensaiar... Tenho minhas dúvidas se essas pessoas podem ser chamadas de “atores”. Um ator de verdade, daqueles que amam o que fazem, sabe a importância de um ensaio e o valor de deixar de lado um almoço de família ou uma balada com os amigos pra ensaiar um espetáculo.

Eu sou suspeita! Como uma apaixonada pelas Artes Cênicas, eu adoro ensaiar! Acho que isso é amar o teatro: curtir todo o processo! Desde o estudo do texto até à apresentação. E eu curto! Ah, como eu curto! Não me incomodo em ficar 4, 5 horas (às vezes mais!) ensaiando, repetindo cada cena até a exaustão. São ossos do ofício, não!? Faço com prazer!

Creio que possa dizer que sou uma atriz muito fácil de dirigir. Claro que já tive meus momentos de dizer “não consigo fazer isso”, “não vou fazer assim”, “não sei como fazer”, mas no fim das contas eu meto as caras, faço o que a direção pede e dá tudo certo!

Enfim... O que eu não entendo é a falta de compromisso de alguns “atores” que dizem “na hora sai” porque não gostam de ensaiar, que não decoram texto simplesmente porque não se dedicam a essa tarefa, que faltam aos ensaios sem dar satisfação, que chegam atrasados por falta de planejamento pra chegar na hora (Claro que imprevistos acontecem, mas sempre? Tem alguma coisa errada!) e por último, os que chegam pra ensaiar sem o texto em mãos dizendo que já estão com tudo decorado e esquecem logo a primeira fala.

Todo esse processo é gostoso se você se dedicar, gostar do que faz, gostar da peça e das pessoas que trabalham ao seu lado. Por isso, faço um apelo aos verdadeiros atores: Vamos curtir isso! Vamos fazer o possível pra tornar esse momento algo pra ser lembrado com saudade. Façamos com que essa experiência profissional se torne uma boa experiência de vida também. Vamos fazer amigos e não apenas contatos. Vamos fazer teatro com amor!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Teatro e dinheiro combinam?

Dia desses recebi um e-mail pelo meu site de uma estudante de Artes Cênicas de uma universidade pública do Sul do país. Ela dizia que antes de chegar à faculdade, havia feito um ano e meio de oficinas de teatro, em duas escolas diferentes, nada muito profissional. E agora que está chegando ao segundo ano de faculdade começou a ter dúvidas com relação ao que eu realmente quer. Ela começou a pensar e se preocupar muito com a parte financeira da coisa. Disse que no início não se importava com isso, mesmo que fosse preciso passar fome para fazer teatro, mas sua visão mudou. Hoje ela almeja ter uma vida financeira estável, que possibilite viagens e bens materiais e escreveu o e-mail para saber basicamente se: "É possível um brasileiro fazer parte de alguma companhia de teatro conhecida na França, Portugal ou algum país da Europa? Se for possível, eu imagino que a pessoa precise ralar muito, mas é possível?"

Puxa! Deve-se imaginar a minha cara depois de ler esse e-mail, não? Como responder dando minha opinião sem interferir diretamente na decisão de uma pessoa e ao mesmo tempo esclarecendo a dúvida com base na minha pouca experiência? Não sei se fiz certo, mas o que respondi foi: "De fato, viver de arte em geral (não só de teatro) no Brasil não é nada fácil. Inclusive, viver de teatro, especificamente, não é fácil em lugar algum. Tem-se a ilusão de que em alguns outros países a arte seja mais valorizada, mas o fato é que são poucos os sortudos e verdadeiros amantes do teatro que conseguem sobreviver única e exclusivamente do teatro. Sou atriz desde 2001 e assim como você, nunca tive e continuo sem ter, a menor intenção e/ou vontade de ir pra televisão. Há lugares com mais campo, vamos dizer assim, onde há mais possibilidades de trabalhar com o teatro. São Paulo (Capital), por exemplo, que é onde resido hoje. E mesmo que aqui, supostamente, tenha um campo mais amplo, ainda é muito complicado conseguir trabalhar e viver só de artes cênicas. Há muita competição, muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e muita sujeira também, não há porque negar esse fato. É preciso se dedicar e ralar muito, mas muito mesmo pra vencer com o teatro (na realidade, com qualquer tipo de arte). Eu sou uma artista e se não fosse o teatro, hoje eu estaria em qualquer outra área artística. Sou da arte e já me conformei com o fato de que se quiser continuar fazendo arte terei de abdicar de certas coisas, talvez trabalhar com qualquer outra coisa com um horário de certa flexibilidade pra que possa dedicar meu tempo livre à minha paixão e, certamente, passarei algumas dificuldades inerentes à profissão. São coisas da vida e a vida é cheia de escolhas. Não se pode ter tudo. Mas se o teatro é o que você realmente quer pra sua vida, só você mesma pode dizer. E se quer aceitar essa profissão em sua totalidade, com seus prós e contras, também só você pode decidir. Mas pense que hoje em dia nenhuma profissão é "segura". Tudo muda muito rápido, as coisas acontecem muito rapidamente hoje em dia. Hoje você está bem, tem um emprego estável e uma profissão que te possibilita uma carreira promissora e amanhã pode não ter nada disso."

Dito isso, quero acrescentar aqui o que acredito serem alguns dos vários fatores pelos quais é difícil ganhar a vida com o teatro: a falta de hábito das pessoas, a comodidade trazida pela televisão (sim, porque é muito mais fácil sentar a bunda no sofá e assistir uma novela com tema batido do que sair de casa e ir até o teatro pra assistir à um espetáculo que te faça refletir. Pra que pensar se é possível ter tudo mastigado?); os valores, de certa forma também (tem gente que gasta R$100 numa balada de sábado a noite, mas não quer pagar R$20 num ingresso de teatro, mas se tiver um global pagam sem dó) e por último a falta de incentivo. Mas há leis de incentivos, Hellen! Há, há sim! Mas até conseguir um deles, você já desistiu de fazer teatro (Obs.: Se tiver um QI se consegue rapidinho!). E há ainda uma pequena parcela de "profissionais" do ramo que conseguem ganhar dinheiro e fazer a vida com o teatro, mas como? Simples... Lucrando em cima do trabalho dos outros, normalmente dos atores que ganham uma merreca de cachê.

Enfim... Só quero dizer que viver de arte é muito difícil, mas não é impossível. Ou pelo menos não deveria ser! Infelizmente a preocupação com as contas nos persegue, tudo gira em torno do dinheiro, da necessidade de se ganhar dinheiro... E muitas vezes isso nos impede de fazer (e ser) o que verdadeiramente queremos.

Pra encerrar, deixo um pensamento sobre isso: "O que você gosta realmente de fazer? O que você faria se o dinheiro não existisse?". Pense a respeito!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Enfiando o pé no drama

Pois é, voltei ao blog! Acontece que entre os meus muitos defeitos, tenho um muito grave: gosto de audiência. Podem me chamar de metida, aparecida ou qualquer coisa assim... O fato é que sou atriz e gosto de ter público, gosto de “aplauso”! haha Enfim, tô de volta!

Acho que já comentei aqui que quando comecei a fazer teatro já fui logo enfiando o pé no drama. Pois bem, já falei de duas experiências nesse campo do meu início de carreira e agora vou falar de outro: “Às Sombras de um Carnaval”.
Maria Rita e Rosário
É um espetáculo inspirado no conto “Antes do Baile Verde” de Lygia Fagundes Telles. Tudo acontece momentos antes do primeiro baile de carnaval da inocente Maria Rita e sua irmã mais velha, Rosário, lhe faz surpreendentes e perturbantes revelações sobre o passado da família. Só que pra chegar a essa sinopse o texto foi escrito, reescrito e modificado uma porção de vezes. É nisso que dá ter um diretor que também é autor das próprias montagens! Pode mexer a vontade! hahahaha

Adorei todas as minhas participações em montagens teatrais (no palco e nos bastidores também!), mas tenho um carinho muito especial por esse espetáculo. Me marcou de verdade! O texto é especial, forte e cheio de surpresas. Você começa a assistir pensando que é uma coisa, aí lá pro meio da peça você já começa a pensar de outro jeito e de repente tudo se inverte. Isso sem falar no final! Ah, eu adoro isso! O personagem que eu interpretei, a Rosário, é meu xodó! Mais uma vez... Gosto de todos os meus personagens, mas ela é sensacional!  

Rosário
Aqui vai um vídeo com trechos da peça. A gravação não está muito boa até por causa do ambiente em que foi filmado, mas dá pra ter uma noção. Espero que gostem!


domingo, 6 de maio de 2012

A Consciência do Ator

O que separa o ator do personagem? Um ator empresta o próprio corpo e voz ao seu personagem, mas deve manter-se consciente como ele mesmo. É essa consciência que o permite lembrar de texto e marcações, improvisar se algo der errado e outros detalhes técnicos extremamente importantes para o bom andamento da trama encenada e ao mesmo tempo, ele deve ter a consciência do personagem... Aquela que sente, que vive a situação da peça, que tem sua própria história e experiências de vida. Mas o que os separa? São dois seres distintos. Um com toda a sua vivência pré-definida pelo autor da obra e outro que escreve sua própria história de vida todos os dias. A arte pode transformá-los em um só ser, ainda que individualmente. Confuso?

Se a consciência do ator e a do personagem devem estar em alerta simultaneamente e o tempo todo, então a linha que separa ambas é extremamente delicada. É como a linha do Equador, os Trópicos ou Meridiano de Greenwich... Linhas imaginárias! Divisões invisíveis, porém eficazes. Limites imensuráveis. Não podemos ver, nem tocar, mas sabemos que existem e estão lá demarcando.

Um ator que vive um vilão em uma novela corre o risco de ser xingado ou até apanhar na rua. A individualidade do ator é confundida com a do personagem. E não é à toa, já que aquela linha imaginária que os separa é tão tênue.

Não é de se admirar que existam histórias de atores que enlouqueceram. Que se viram tão inseridos no íntimo do personagem que se esqueceram de si próprios. Ainda que possam ser apenas histórias fantasiosas, não é mesmo algo para se pensar? Será possível um ator esquecer completamente de si mesmo e passar a viver a vida do personagem? Será que em algum momento as duas consciências podem deixar de coexistir e apenas uma imperar? Um ator pode deixar de existir como ele mesmo nem que seja por um segundo? E seguindo a lógica de que o personagem só se torna físico com o auxílio de um ator, poderia ele existir verdadeiramente por conta própria? Se o ator empresta o corpo e a voz ao personagem mantendo sua própria consciência, então realmente há limite entre os dois. E esse limite deve ser respeitado! Se o personagem morre, morre sozinho... O ator permanece vivo!

O ator deve convencer o público de que sente pelo personagem, mas não deve “sofrer” por ele. Se o personagem leva um soco e tem o nariz quebrado, o ator usará de artifícios para convencer que está sentindo a dor de ter o nariz quebrado. Ele não irá quebrar o nariz de verdade. O ator deve convencer, transmitir verossimilhança mesmo sem o uso de artifícios. Outro exemplo, uma atriz pode fazer o público acreditar que está sentindo contrações de parto sem sequer estar grávida. A intenção do ator de transmitir a verdade deve obter sucesso sem que ele precise “sofrer as consequências”. Um ator deve ser capaz de sentir pelo personagem sem que seja necessário sentir na própria pele, sentir por sua individualidade e consciência. É isso, é isso que os separa!

terça-feira, 24 de abril de 2012

A magia do antes, durante e depois

O ritual começa antes mesmo de sair de casa, às vezes ainda no dia anterior... Separo tudo o que vou precisar e guardo cuidadosamente na mochila. Reviso todos os itens três vezes pra ter certeza de não estar esquecendo nada. Ainda assim, minutos antes de sair penso em cada detalhe pra ver se realmente não falta nada. Claro, também não como chocolate no dia, pois mela as cordas vocais e prejudica a performance.
Chego no local horas antes, tendo tempo de aprontar as coisas para que tudo seja perfeito. Ao entrar já sinto o cheiro... Aquele cheiro inconfundível de arte (embora em alguns lugares esse cheiro se misture ao cheiro de mofo, de lugar fechado).
Vou até o camarim, penduro o figurino num cabide na arara ou esticada em cima de uma cadeira, o calçado também fica ali por perto, coloco a maquiagem, grampos e uma escova de cabelo em cima do balcão a frente do espelho.
Vou para o local sagrado, a caixa mágica, o palco! Deve-se respeitá-lo! Fico descalça pra sentir toda energia transmitida pela quartelada. Caminho devagar do proscênio à rotunda, observando cada detalhe de cima a baixo... Ah, olhar para a plateia ainda vazia e imaginar o lugar lotado de espectadores dá até um calafrio!... Continuo meu reconhecimento do espaço e se o espetáculo possui cenário, me familiarizo com ele tocando cada objeto para me sentir o mais a vontade possível. Enquanto isso, acompanho as nuances de luz criada pelo técnico que está afinando a iluminação.
Reunião de elenco... Hora de acertar os últimos detalhes, de ouvir os últimos apontamentos da direção, tirar dúvidas, passar uma cena ou outra, talvez bater texto... E a hora da apresentação vai se aproximando!
Eu e meus colegas de cena vestimos nossos figurinos, fazemos nossas maquiagens, ajudamos um ao outro a se arrumar. A tensão vai aumentando e litros de água são bebidos por todos durante esse tempo. Deixo também uma garrafinha na coxia pra tomar um gole quando tiver uma chance de sair de cena. Fazemos um aquecimento de corpo e voz e eu tento não pensar no texto pra não ficar ainda mais nervosa.
O operador de som coloca um CD para o público ouvir enquanto aguarda... Está quase na hora de abrir as portas... Um último teste com a iluminação e a cortina se fecha para não estragar a surpresa.
As portas do teatro são abertas permitindo a entrada do público, que aos poucos vai se acomodando em seus lugares... Posso ouvir o burburinho, parece que teremos casa cheia!... Mais um gole d’água e ai, preciso ir ao banheiro! A ansiedade paira nos bastidores... Dá-se o primeiro sinal!
Alguém diz “merda!” e todos repetem com convicção. O elenco se posiciona nas coxias, respira fundo... De tão nervosa, respiro errado e sinto minhas mãos, pés e rosto completamente adormecidos, parecem anestesiados... Dá-se o segundo sinal e não há mais pra onde fugir!
A música de sala é substituída por uma voz que pede que todos os celulares sejam desligados e que os presentes não tirem fotos com flash, pois isso atrapalha os atores (e como atrapalha!). A voz diz o nome do espetáculo, do autor, diretor e às vezes de todo o elenco, técnica e até uma breve sinopse... Dá se o terceiro sinal! Chegou a hora!
As luzes da plateia se apagam, a cortina abre-se aos poucos revelando a cenografia e entro em cena... A anestesia passou dando lugar a um tremor. Esse primeiro minuto em cena é o mais tenso. Vou relaxando e sem perceber já estou completamente imersa na trama do texto, não sou mais eu ali, é o personagem. Mesmo que esteja consciente enquanto eu mesma, é inevitável! Uma das maiores glórias do ator é ter o poder de prender a atenção dos que o assistem, levar os olhares pra onde quiser, fazê-los crer nas ações e situações interpretadas e que todas as palavras que saem de sua boca são verdadeiras. O ator está no comando e nessa posição têm a responsabilidade e o dever de entreter, divertir, ensinar e instruir.
O espetáculo envolve os espectadores, fazendo-os interagir e sentir as emoções da história. Tudo graças aos atores que são como Deuses quando estão no palco, que é o seu altar. Mal percebo o passar do tempo e quando me dou conta do ponto do texto em que estamos, penso: “Nossa, mas já? A peça tá perto do fim. Será que pulamos alguma parte?” Não, é que tudo ocorre tão naturalmente, tão harmoniosamente, é tudo tão bom que parece passar depressa. As reações do público vão nos dando ainda mais força. O elenco deleita-se quando percebe que a plateia está envolvida, entregue, atenta e curtindo cada momento.
Agora sim, a peça se aproxima do fim... Reviravoltas, revelações, clímax e resoluções encerram a trama. Blackout! Os aplausos tomam conta do ambiente e aumentam ainda mais quando as luzes se acendem novamente e os atores aparecem juntos para agradecer... Alguns têm lágrimas nos olhos! É lindo mesmo! Meu sentimento nesse momento é um misto de alívio e de dever cumprido.
Após os devidos agradecimentos, o elenco se abraça, se elogia, se parabeniza! Os familiares, amigos, conhecidos e desconhecidos querem compartilhar desse momento. Alguns invadem o palco e os camarins. Querem abraçar todos, dar os parabéns, falar sobre alguns momentos que ficarão marcados na memória de quem assistiu.
Eu me sentindo cansada e ao mesmo tempo maravilhosamente realizada, arrumo minhas coisas pra poder voltar pra casa e descansar. Que sensação boa!
Todo o ritual se repetirá todas as vezes. O frio na barriga será sempre o mesmo, os calafrios, a anestesia, o tremor, a emoção, a grandeza.
E assim é sempre! E que assim seja!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Drama: "Por Hoje!"

Como já disse anteriormente, comecei a fazer teatro em 2001. Durante minha permanância de 8 anos na Cia. Teatral As Três Faces da Lua em Santos/SP, posso contar nos dedos quantas vezes fiz um trabalho que não fosse um drama. Primeiramente devido à linha de trabalho do diretor e segundo porque minha veia dramática é "mais grossa" do que a cômica. Após esses 8 anos, me afastei do fazer teatral por motivos que acredito que não devo revelar aqui. 

Em meados de 2010, vim à São Paulo assistir o espetáculo de um amigo. Foi então que conheci meu marido e diretor de teatro. Comecei a trabalhar na Katinsk Produções e desde então, minha veia cômica tem sido trabahada e "engrossado"! hehe

Na quarta-feira da semana que vem, dia 25 de abril, voltarei ao drama com a estréia do espetáculo "Por Hoje!" com texto e direção de Jorge Katinsk (meu maridão hehe). Então gostaria de aproveitar este meu espaço para divulgar o trabalho e convidar todos os visitantes.

 
"Por Hoje!" é um espetáculo que nos fala sobre a família, sobre o amor. É denso, é tenso, cínico, eletrizante e comovente. Venha conhecer a nossa história, que também pode ser a sua.

No elenco: Hellen Bravo, Jorge Katinsk, Luana Marcelino, Patrícia Marcelino e Irene Rangel.

Apresentação única! Dia 25 de abril às 20h30 no Teatro Santo Agostinho (Rua Apeninos nº118 - Liberdade/SP - próximo à estação Vergueiro do metrô)

Classificação: 10 anos. Ingressos: R$40 e R$20 (estudantes).

Conto com a presença de todos! Prestigiem!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Dores do ofício

Quem diz que fazer teatro não é perigoso nunca fez teatro. Sou estabanada por natureza, mas quando acontece em cena a coisa muda.

Conheço histórias de colegas de profissão que sofreram um corte na perna por uma tábua fraca que se partiu, um que furou o pé num prego, outro que trincou um osso ao descer do palco, escorregar e cair de bunda então está no topo da lista de acidentes e por aí vai.... Eu já abri o pulso ensaiando, mas o meu karma é machucar os joelhos! Meus joelhos sentem uma atração inexplicácel pelo tablado e mesmo quando eu não fico de joelhos em cena, eles dão um jeitinho de se jogar. 

Se não me engano, tive marcações de cena que ficava de joehos em pelo menos cinco trabalhos que fiz desde o começo da minha carreira. E, pelo que posso me lembrar agora, cai em cena machucando os joelhos em mais uns três. Agora estou ensaiando um espetáculo com estréia marcada pro fim desse mês e adivinhem? Sim, olha eu machucando os joelhos mais uma vez! Antes que alguém pense, não estou reclamando! Mas ô karma! hahaha 

Acidentes acontecem, é normal! Mas que tal estar em cena vendo faíscas saindo de um refletor bem em cima da sua cabeça? Aí eu penso: eu já quase botei fogo na cortina do Teatro Brás Cubas (Teatro Municipal de Santos) e ainda bem que ficou no quase. Mas o que fazer se tudo der errado? É beeeem aquele tipo de coisa que já causou pesadelos em qualquer ator.

Estamos sujeitos à esse tipo de coisa em qualquer atividade. Mas só diz que "fazer teatro é seguro" ou algo assim que nunca caiu de cara no chão em cena durante uma apresentação como já aconteceu comigo.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Duas horas e meia em quinze minutos

Numa outra postagem mecionei um trabalho que fiz em que levava cerca de duas horas e meia pra me aprontar, pois bem, falarei mais dele hoje:

Foi em "... Eternamente...". Uma cena de 15 minutos inspirada no conto "O Retrato Oval" (ou "O Retrato Ovalado") de Edgar Allan Poe. O texto é lindo e a cena, fidelíssima, ficou emocionante também. 

Pra apresentar essa cena havia todo um verdadeiro ritual. Fazia babyliss no cabelo todo e prendia (só isso levava cerca de uma hora e meia), depois fazia a maquiagem e todo o conjunto tinha que ficar idêntico ao quadro. Por fim, colocava o vestido que era composto de dois saiotes para dar volume, a saia e o corpete. O resultado você vê na foto abaixo:
A estréia foi num festival de cenas de Santos, o FESCETE. Entrei em cena tremendo e como é possível ver no vídeo abaixo, o início da cena era mágico, romântico... E eu tremendo. Quando chegou o momento de começar o texto em si eu respirei fundo e dali em diante relaxei. Meu maior conforto foi perceber, no decorrer da cena, que meu companheiro Daniel Maia estava tão tenso quanto eu, as mãos dele estavam frias. Mas deu tudo certo! Essa apresentação nos rendeu alguns prêmios e minha primeira indicação ao prêmio de Melhor Atriz. 
Cerca de duas horas e meia pra me arrumar pra ficar quinze minutos em cena e morrer no final. E como valia a pena! A cena era maravilhosa, meu companheiro de cena não poderia ser melhor e o texto e a direção de Waldir Correia eu sou suspeita pra falar, pois sou super fã! Agradeço imensamente pela oportunidade de fazer um trabalho tão bonito quanto este e por ter começado com um diretor tão atencioso e que hoje faz tão parte da minha vida que o considero da família, é meu segundo pai.
Abaixo vai um vídeo com a cena. Perdoem a falha técnica no final da gravação, mas dá pra ter uma boa idéia e apreciar o trabalho. Espero que gostem!


terça-feira, 27 de março de 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

Produção

Dia desses conversando com um amigo fiz o seguinte comentário: "Acho que só devia ser permitido dizer que faz (ou que já fez) teatro por quem já construiu um palco". Claro que não literalmente! hahaha O que eu quis dizer é que só se pode dizer que se faz teatro quando se participa de todas as etapas, do processo completo do fazer teatral. 

Fazer teatro é muito mais do que estar no palco. Fazer teatro é carregar e montar cenário, abrir cortina, operar luz/som, costurar figurino, enfim... "Construir um palco"!

Eu mencionei numa postagem anterior que se deve ser gentil com os técnicos da produção de um espetáculo, pois todos têm a mesma importância. E é isso mesmo! Um ator sozinho em cena sem qualquer recurso desempenha bem sua função, mas se tiver alguém pra abrir as cortinas, dar play no som, acender e apagar as luzes, etc. é muito mais interessante! O figurino, a iluminação e tantos outros componentes enriquecem um espetáculo e um bom convívio entre todos os envolvidos reflete positivamente no trabalho.

Eu já tive o prazer de estar no palco e nos bastidores e posso dizer com certeza que o nervosismo, a emoção e o orgulho no final são os mesmos! Estar operando o som, por exemplo, é tão gratificante quanto estar em cena. Dá orgulho ver um trabalho sendo admirado e saber que se você não estivesse ali pra acender as luzes o espetáculo não aconteceria ou que se você não estivesse em cena para viver o personagem também não!

Abaixo vai uma foto que comprova minha dedicação na produção de um espetáculo. hehe
 Fazer teatro é conhecer e participar ativamente de cada pedacinho dele!