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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Mais um "filho" que nasce com saúde

Já falei aqui sobre a esquete "A Família Gildézia", apresentada em 2011 dentro do espetáculo "As Mancadas Nossas de Cada Dia". Pois bem! No ano seguinte, a esquete ganhou uma espécie de continuação e o sucesso foi igualmente surpreendente e animador! Depois disso, surgiu a vontade de juntar as duas esquetes, melhorá-las, encorpá-las e transformar num espetáculo completo!

O texto demorou para ficar pronto, foi modificado diversas vezes e várias versões foram feitas. Mas a montagem mesmo não saiu e o projeto foi engavetado. No início desse ano, "A Família Gildézia" não estava nos planos, mas quis o destino que ficássemos exatamente com o número de pessoas necessária para formar o elenco da "Família"... Pelo menos era o que nós pensávamos! 

É impressionante a falta de compromisso de algumas pessoas. Independente de você ser aluno de um curso de teatro, ou ator profissional, ou amador, ou bolsista... Honre seus compromissos e não ferre os colegas! Pra resumir... Por medo, por falta de vergonha na cara, por falta de responsabilidade, falta de compromisso e até por filha da putagem, nós "perdemos" (pra não dizer que nos livramos de) ao menos 7 pessoas! É muito furo pra tão pouco tempo! Mas isso não nos abalou! 

Mesmo com todas as adversidades, das mais inimagináveis, conseguimos estrear essa montagem tão querida e esperada não somente por nós, mas também por amigos que conheciam a história dessa família baiana. Mais um filho da Katinsk Produções nasce saudável!

Fiquei muito feliz com o resultado final, com a público de 60 pessoas numa noite fria e chuvosa de domingo num espaço que acomoda 100 pessoas. Saldo mega positivo em vários quesitos! Claro que não foi perfeito, mas nada que empobreça ou diminua o brilho da montagem. 

Agradeço imensamente a todos que nos prestigiaram! Ao elenco, verdadeira família, agradeço a confiança e companheirismo! Agradeço até as pessoas que talvez pensem conseguir nos prejudicar, mas que na verdade só nos deixam mais fortes e capazes de superar qualquer obstáculo.

Em nome da Cia. agradeço o acolhimento da Casa de Cultura Salvador Libague. E aproveito para convidar todos para a reapresentação dessa comédia nordestina no dia 14 de junho às 20h no mesmo local.

Elenco, da esquerda para direita: Lucia Costa, Gercilene Santos, Jorge Katinsk, Janaina Eloa e eu, Hellen Bravo.
"A Família Gildézia" espera por vocês no dia 14 com muita alegria e amor! Evoé!... Eita Porra! ;)

sexta-feira, 6 de março de 2015

A opinião não é só minha

Recentemente eu fiz duas postagens falando um pouco da minha opinião sobre televisão e tudo o que isso envolve. Pois bem, quando eu falo provavelmente ninguém dá trela, então passo a palavra pra uma das atrizes mais talentosas do país e que, assim como eu, ama o teatro... Marisa Orth!

Aqui vão algumas passagens de uma entrevista recente dela:

Pergunta – Você acha que representar é um dom?
Marisa Orth – Acho que é uma missão. Ou é uma coisa de outra encarnação ou é uma neurose muito precocemente adquirida, o que pode ser também.

Pergunta – Sobre o estigma das atrizes…
Marisa – Tem o estigma de que a atriz é falsa, tem o estigma de que a atriz é fácil, porque ainda pega o negócio de beijar na boca de qualquer um, é incrível. Fico chocada, mas tem. O pessoal acha que é muito divertido fazer cena de sexo e é um horror. Uma semana antes, a gente fica desesperada porque vai ter a cena de sexo. E atire a primeira pedra a atriz que faz isso muito à vontade porque é dificílimo. `Ah, mas se você tiver tesão pelo…´ piorou! Graças a Deus, por obra do Divino, eu nunca estive em situações assim. Porque se você tem algum interesse na pessoa, aí é mais constrangedor, é horrível. A gente tem essa separação do corpo, por obrigação. Não que a gente seja devassa, não é nada disso. Dá muito bem para você beijar e não estar beijando. Assim como existe a situação na vida em que você está sentada perto da pessoa, sem nem tocar, e está rolando um clima absurdo! Pelo amor de Deus., é incrível que as pessoas não acreditem nisso. Então, o estigma da falsa, o estigma da fácil e a fama. A fama é outro estigma.

Pergunta – Você tem o famoso tempo da comédia. Aliás, como você define esse tempo?
Marisa – Um ritmo. É uma coisa musical. É muito exato. Por isso é que se costuma dizer que comédia é mais difícil do que drama. E porque não se aprende. Você conhece alguém da sua família que não sabe contar piada e começou a contar bem piada?

Pergunta – Não, mas mesmo assim insiste em contar.
Marisa – Exatamente, toda família tem uns dois, três. Lá vem de novo…

Pergunta – O seu lado musical te ajudou como atriz? Ajuda ainda?
Marisa – Sim, ajuda muito. Eu acho que não existe bom ator sem ouvido musical.

Pergunta – Por causa do ritmo?
Marisa – E do ouvido. Assim como pela nota musical da frase. Porque um cara que não tem ouvido musical, quando o diretor fala ‘mais doce´, ele abaixa o volume. Não, ‘mais forte´, ele aumenta o volume. Mas a sequência de notas da frase ele não é capaz de mudar.

Aí vem a parte que realmente gostei e que me deixou muuuuuito feliz...

Pergunta – E o teatro é a arte do ator, como se costuma dizer?
Marisa – É. Teatro é delícia. Primeiro, porque você estuda, pode repetir. É como um quadro, você ensaia dois meses. Aqui eu vou fazer esse gesto, aqui eu vou fazer essa boca, aqui não sei o quê lá. Você apresenta um trabalho mais bem-acabado, ensaiou dois meses aquilo, três, às vezes. Eu sempre digo que qualquer peça que você faça, por pior que seja, sai melhor atriz. Você aprende melhor, porque você melhora ao ensaiar. E qualquer trabalho em televisão, por melhor que seja, te piora como atriz, porque você não ensaia.

Pergunta – O teatro é o território para se arriscar mais?
Marisa – Teatro é a pós-graduação do ator. É onde você estuda, onde você melhora.


Acho que ficou bem claro o que eu quis dizer esse tempo todo. Mas, claro, todos sabemos que quando ela fala tem mais credibilidade. Não julgo os que pensam assim, só queria mesmo mostrar que, graças à Dionísio, não estou sozinha em minhas opiniões! Ufa! Obrigada Marisa! 

Pra quem quiser ler a entrevista na íntegra, é só clicar aqui!

sábado, 16 de novembro de 2013

Entrando no compasso cômico

Alguns dizem que “é mais fácil fazer chorar do que fazer rir”. Não sei até que ponto eu concordo ou discordo disso! Na verdade, acredito que o que difere o drama da comédia seja a técnica aplicada! E se a técnica de um é mais simples que a da outra é só uma questão de ponto de vista. Se no drama podemos usar a memória emotiva em nosso favor, na comédia não podemos nos valer dela.

Fazer comédia é complexo... Mas o drama também é! Não devemos nos esquecer que tragédia rima com comédia e que isso significa que se nos excedermos em qualquer um dos dois, pode acabar se tornando o outro. Como? Assim... Uma comédia forçada pode ser desastrosa tornando-se, portanto, trágica. Já um drama exagerado pode acabar se transformando num dramalhão mexicano e “assim nasce a tragicomédia”. Dá pra entender o quanto os dois podem se misturar e se unir mesmo sendo, aparentemente, tão diferentes?

Penso o seguinte: pra fazer teatro, o ator precisa se entregar ao personagem e dar o melhor de si! Porém, pra que se faça um drama, o ator pode recorrer a inúmeras técnicas e mesmo que ele não faça a plateia se debulhar em lágrimas, ele pode conquistar sua meta e atingir o público. Já numa comédia, a grande sacada é o “tempo”. Se as falas não forem dadas no “tempo certo”, elas não surtem tanto efeito... Se um movimento não é feito no “tempo precisamente exato”, ele perde a graça! O drama também tem o seu “tempo” que se não for bem pensado e feito, cria lacunas no espetáculo. São “tempos” diferentes! Cada um no seu compasso!

Mesmo tendo contato anterior com a comédia, eu fui aprender e sentir um pouco mais como isso funciona na montagem da cena “A Família Gildézia”.


Por mais que amemos todos os personagens que já fizemos, nós atores, sempre temos os nossos xodós. A Gildézia é um dos meus por dois motivos: porque foi meu primeiro personagem cômico e porque é um personagem simplesmente sensacional! Foi quando comecei, verdadeiramente, a entender e fazer comédia.

Abaixo vai o vídeo com a cena completa pra quem quiser conhecer essa nordestina desbocada, ingenuamente esperta, mão coruja e louca que é a Gildézia. Espero que gostem, pois eu amei dar vida a essa parideira arretada! =D

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O retorno...

Fiquei afastada aqui do meu blog quase que pelo mesmo tempo que fiquei afastada do teatro. Mas agora estou de volta pra quem possa interessar! =P

Bom, continuando... Retornei ao cotidiano teatral em 2010 de uma maneira que eu não esperava por dois motivos. Primeiro: em São Paulo! (Eu não pensava na possibilidade de vir pra Sampa com frequência e muito menos de me mudar pra cá, como aconteceu posteriormente). E segundo: no Teatro Empresarial.
 
Eu nunca havia sequer ouvido falar em Teatro Empresarial até aquele momento. E quando “comprei” a ideia, me surpreendi positivamente e hoje acho que é uma experiência pela qual todo ator deveria passar, como já disse numa postagem anterior sobre o assunto.
 
Logo em seguida, tive a oportunidade de contracenar com três antigos amigos e companheiros de cena numa comédia... Minha primeira comédia!
 
A montagem de “O Poderoso de Novilha Morta” foi uma homenagem a um grande mestre e amigo nosso e também um reencontro entre pessoas que se gostam e que queriam muito trabalhar juntas novamente. Pra completar, foi uma grande aula pra mim!
 
Antes dessa montagem, os bastidores eram o mais próximo que eu já havia estado de uma comédia. Então foi ali que minha cômica começou a funcionar. Ainda de maneira discreta, mas começou!
 
A tal veia cômica “engrossou” com o passar do tempo e das verdadeiras aulas particulares que pude ter como meu diretor, autor e ator de comédia favorito, meu marido! hehe As experiências com o Empresarial também ajudaram um bocado, mas foi na montagem de uma cena que minha porção cômica realmente se mostrou... Vai na próxima postagem! (Em breve! Eu prometo!)