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segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Arte?
Por sorte, não conheço nenhum colega que aprove, concorde e/ou defenda algo desse tipo como arte.
Desculpem! Mas arte pra mim é outra coisa!... Farei uma postagem sobre isso posteriormente. No momento, ainda estou muito indignada pra conseguir dissertar a respeito.
Mas não! Isso não é legal!
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Ganância
Vira e mexe me deparo com divulgações de espetáculos genéricos extremamente mal feitos de filmes Disney e equivalentes... Aí a criança vê o desenho da Galinha Pintadinha num cartaz e por mais que o nome do espetáculo seja "Mariazinha e a Galinha Pintadinha no Reino da Porcaria" (exemplo tosco, porém plausível!) a mãe leva a coitada da criança. A pobrezinha vai super acreditando que vai ver a Galinha Pintadinha do desenho, mas o que encontra no teatro é uma fantasia mal feita e uma maquiagem derretendo capaz de traumatizar até adultos.
Isso me incomoda de um jeito doido! A ganância por dinheiro é tão grande que faz pessoas montarem espetáculos de baixa qualidade para crianças, sem nem se importar com o estético ou com a história. E os pais, que muitas vezes não podem pagar mais por uma montagem apresentável ou acaba se deixando levar pelos desejos dos filhos, são obrigados a compactuar com a palhaçada toda pra desiludir ainda mais as crianças.
CALMA! Não estou dizendo que todos os espetáculos infantis que usam nomes de filmes famosos são ruins. Mas o fato de que a maioria é de uma qualidade deplorável, isso é simplesmente inegável!
Como profissional da área, sei bem como é difícil levar público para assistir um espetáculo infantil que não tenha o nome de um personagem famoso no título. Acreditem, eu sei! Mas peraí né, galera!
Caros pais e responsáveis... Também sei o quanto é osso pagar caro pra levar uma criança pra assistir "O Rei Leão" quando o ingresso de "A Turma de Madagascar" custa menos da metade. Mas façam um esforço! Conversem com seus filhos, juntem um pouquinho mais de grana, mas POR FAVOR... Se é pra levar criança ao teatro, que seja pra assistir algo de que ela vai gostar, algo que valha a pena o dinheiro gasto no ingresso, algo de que ela vai se lembrar com alegria e não com trauma por ver uma Peppa Pig gigante com olhos pintados de branco onde deveria estar a boca.
Caros colegas de trabalho... Invistam! Pra ganhar dinheiro é preciso gastar dinheiro! E, se tratando do público infantil, não economizem! É foda pagar direitos autorais, dói o bolso pagar caro por um figurino bem feito e um cenário prático e bonito sim! Mas vale a pena! Experimenta montar um espetáculo sem título famoso e sem personagem plagiado e corre atrás, cara! Vai correr por patrocínio, nem que seja "vaquinha virtual", mas tá valendo! Vale a pena pela qualidade de seu próprio trabalho, vale a pena fazer algo bem feito, vale a pena ver crianças felizes, vale a pena lucrar pouco no começo até que a montagem conquiste público com o boca a boca... Vale a pena!
Sejamos menos gananciosos! Vamos pensar mais no público do que em nós mesmos, pois sem público não há espetáculo!
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Adolescentes
Na última postagem falei sobre fazer teatro para crianças... O que dizer então sobre teatro para adolescentes?
No fim do mês de abril, em meio há muitos acontecimentos, comecei a ensaiar um novo espetáculo: "Tem muito lobo mau disfarçado de vovozinha. Cuidado pra não ser a próxima vítima!". Um trabalho de muita responsabilidade, pois trata sobre bullying, bagunça na escola, primeira balada, drogas, namoro consciente, sexo na adolescência, abuso sexual e amizade.
Foram dias seguidos de ensaio intenso e muita diversão. E quando o elenco se dá bem o resultado só pode ser positivo como realmente foi!
Fizemos uma pré estreia de arrepiar com ótima receptividade do público. A estreia pra valer aconteceu no Paraná com a presença das autoridades locais. Foram dois dias incríveis! A certeza de estar indo pelo caminho certo só aumentou e a sensação de bom trabalho é maravilhosa!



Essa postagem é mais um agradecimento! Agradeço imensamente por esse trabalho
bacanérrimo com essa equipe do bem e que se dá bem e com uma proposta pra lá brilhante!
É um privilégio e um imenso prazer fazer parte disso!
Vamos seguindo adiante levando este instrumento de divergência, advertência, ensinamento, documentação e instrução para todo o Brasil!
Merda hoje e sempre! Evoé!
terça-feira, 24 de março de 2015
As lições
O que aprendi com o teatro? Bom, em primeiro lugar eu aprendi que nunca vou parar de aprender. Viver é um constante aprendizado e, se a vida imita a arte e o teatro representa a vida, então fazer teatro é aprender a cada nova experiência. Aprende-se o tempo todo e até sem perceber! São valores que um ator deve ter sempre consigo durante seu fazer teatral e que todo aquele que vive em sociedade deve praticar diariamente. Com o teatro eu aprendi...
- Que saber ouvir é primordial
Não basta ouvir. É preciso estar atento e compreender o que se ouve! De que adianta você estar ouvindo o que o colega de cena fala esperando a sua deixa e se ela for dita de maneira diferente da prevista você se embananar todo porque não estava prestando atenção?
- A ter comprometimento
Horário é horário, então não chegue atrasado. Quando você se atrasa você atrapalha o trabalho de todo o grupo e não apenas o seu. Tenha comprometimento com o que faz e faça de coração! Estude, leia, decore e não ferre os colegas.
- A respeitar. Você não é melhor do que ninguém!
Do cara que está no palco até o cara que dá o play na sonoplastia... Todos têm a mesma importância! Do cara que veste e branco e te examina num consultório até o cara que varre a rua... Todos merecem o mesmo respeito! E seguindo essa linha de pensamento...
- Que no teatro não há espaço para egos inflamados
Não existe personagem pequeno. Cabe ao ator dar o melhor de si e fazer o personagem ganhar destaque com seu trabalho.
- Que aquecimento é importante
Se não der uma bela alongada no corpo, uma aquecida e, principalmente, se não cuidar da voz... Esqueça! Você vai terminar cada apresentação com dores terríveis pelo corpo, com dor de cabeça e sem voz.
- A ter calma e respirar
É uma droga prestar atenção na própria respiração, pois parece que ela sai do "automático". Mas essa automação deixa nossa respiração toda errada. A correria do dia a dia faz isso com a gente! Então tenha calma e respire sempre... Sinta seus pulmões se encherem de ar, seu diafragma se dilatar e me agradeça ao perceber o quanto isso ajuda na sua projeção vocal. De nada!
- Que brincadeira tem hora
Não queira ser o engraçadão da turma. Há o momento certo e a maneira certa de brincar.
- A olhar nos olhos
Quem desvia o olhar normalmente está mentindo. Encare seus colegas, procure olhar nos olhos de seu interlocutor e uma química inexplicável se dará, você vai ver!
- A deixar os problemas do lado de fora
Você tem problemas? Todo mundo têm! Mas é preciso deixá-los do lado de fora e permitir-se submergir no universo teatral, seja numa simples aula ou num ensaio e, principalmente, em dia de apresentação. Ninguém vai ao teatro pra saber dos seus problemas, mas sim para acompanhar os conflitos dos personagens e a história do espetáculo.
- Que se o mundo é um ovo, o universo teatral é ainda menor
O mundo gira, caro colega! Hoje quem diz não, amanhã pode precisar que alguém lhe diga sim. E nesse meio você sempre vai precisar da ajuda de alguém, pra alguma coisa, em algum momento. Vamos falar o Português bem claro... Existe muito filho da puta no mundo e no meio artístico existe o dobro! Apenas não seja um deles e fique esperto pra não ser passado pra trás por eles. Lembre-se: Não é preciso usar ninguém de degrau pra conseguir subir na vida!
Pra encerrar deixo um conselho: Quando você achar que está bom, saiba que ainda é possível melhorar muito!
sexta-feira, 6 de março de 2015
A opinião não é só minha
Recentemente eu fiz duas postagens falando um pouco da minha opinião sobre televisão e tudo o que isso envolve. Pois bem, quando eu falo provavelmente ninguém dá trela, então passo a palavra pra uma das atrizes mais talentosas do país e que, assim como eu, ama o teatro... Marisa Orth!
Aqui vão algumas passagens de uma entrevista recente dela:
Pergunta – Você acha que representar é um dom?
Marisa Orth – Acho que é uma missão. Ou é uma coisa de outra encarnação ou é uma neurose muito precocemente adquirida, o que pode ser também.
Marisa Orth – Acho que é uma missão. Ou é uma coisa de outra encarnação ou é uma neurose muito precocemente adquirida, o que pode ser também.
Pergunta – Sobre o estigma das atrizes…
Marisa – Tem o estigma de que a atriz é falsa, tem o estigma de que a atriz é fácil, porque ainda pega o negócio de beijar na boca de qualquer um, é incrível. Fico chocada, mas tem. O pessoal acha que é muito divertido fazer cena de sexo e é um horror. Uma semana antes, a gente fica desesperada porque vai ter a cena de sexo. E atire a primeira pedra a atriz que faz isso muito à vontade porque é dificílimo. `Ah, mas se você tiver tesão pelo…´ piorou! Graças a Deus, por obra do Divino, eu nunca estive em situações assim. Porque se você tem algum interesse na pessoa, aí é mais constrangedor, é horrível. A gente tem essa separação do corpo, por obrigação. Não que a gente seja devassa, não é nada disso. Dá muito bem para você beijar e não estar beijando. Assim como existe a situação na vida em que você está sentada perto da pessoa, sem nem tocar, e está rolando um clima absurdo! Pelo amor de Deus., é incrível que as pessoas não acreditem nisso. Então, o estigma da falsa, o estigma da fácil e a fama. A fama é outro estigma.
Marisa – Tem o estigma de que a atriz é falsa, tem o estigma de que a atriz é fácil, porque ainda pega o negócio de beijar na boca de qualquer um, é incrível. Fico chocada, mas tem. O pessoal acha que é muito divertido fazer cena de sexo e é um horror. Uma semana antes, a gente fica desesperada porque vai ter a cena de sexo. E atire a primeira pedra a atriz que faz isso muito à vontade porque é dificílimo. `Ah, mas se você tiver tesão pelo…´ piorou! Graças a Deus, por obra do Divino, eu nunca estive em situações assim. Porque se você tem algum interesse na pessoa, aí é mais constrangedor, é horrível. A gente tem essa separação do corpo, por obrigação. Não que a gente seja devassa, não é nada disso. Dá muito bem para você beijar e não estar beijando. Assim como existe a situação na vida em que você está sentada perto da pessoa, sem nem tocar, e está rolando um clima absurdo! Pelo amor de Deus., é incrível que as pessoas não acreditem nisso. Então, o estigma da falsa, o estigma da fácil e a fama. A fama é outro estigma.
Pergunta – Você tem o famoso tempo da comédia. Aliás, como você define esse tempo?
Marisa – Um ritmo. É uma coisa musical. É muito exato. Por isso é que se costuma dizer que comédia é mais difícil do que drama. E porque não se aprende. Você conhece alguém da sua família que não sabe contar piada e começou a contar bem piada?
Marisa – Um ritmo. É uma coisa musical. É muito exato. Por isso é que se costuma dizer que comédia é mais difícil do que drama. E porque não se aprende. Você conhece alguém da sua família que não sabe contar piada e começou a contar bem piada?
Pergunta – Não, mas mesmo assim insiste em contar.
Marisa – Exatamente, toda família tem uns dois, três. Lá vem de novo…
Marisa – Exatamente, toda família tem uns dois, três. Lá vem de novo…
Pergunta – O seu lado musical te ajudou como atriz? Ajuda ainda?
Marisa – Sim, ajuda muito. Eu acho que não existe bom ator sem ouvido musical.
Marisa – Sim, ajuda muito. Eu acho que não existe bom ator sem ouvido musical.
Pergunta – Por causa do ritmo?
Marisa – E do ouvido. Assim como pela nota musical da frase. Porque um cara que não tem ouvido musical, quando o diretor fala ‘mais doce´, ele abaixa o volume. Não, ‘mais forte´, ele aumenta o volume. Mas a sequência de notas da frase ele não é capaz de mudar.
Marisa – E do ouvido. Assim como pela nota musical da frase. Porque um cara que não tem ouvido musical, quando o diretor fala ‘mais doce´, ele abaixa o volume. Não, ‘mais forte´, ele aumenta o volume. Mas a sequência de notas da frase ele não é capaz de mudar.
Aí vem a parte que realmente gostei e que me deixou muuuuuito feliz...
Pergunta – E o teatro é a arte do ator, como se costuma dizer?
Marisa – É. Teatro é delícia. Primeiro, porque você estuda, pode repetir. É como um quadro, você ensaia dois meses. Aqui eu vou fazer esse gesto, aqui eu vou fazer essa boca, aqui não sei o quê lá. Você apresenta um trabalho mais bem-acabado, ensaiou dois meses aquilo, três, às vezes. Eu sempre digo que qualquer peça que você faça, por pior que seja, sai melhor atriz. Você aprende melhor, porque você melhora ao ensaiar. E qualquer trabalho em televisão, por melhor que seja, te piora como atriz, porque você não ensaia.
Marisa – É. Teatro é delícia. Primeiro, porque você estuda, pode repetir. É como um quadro, você ensaia dois meses. Aqui eu vou fazer esse gesto, aqui eu vou fazer essa boca, aqui não sei o quê lá. Você apresenta um trabalho mais bem-acabado, ensaiou dois meses aquilo, três, às vezes. Eu sempre digo que qualquer peça que você faça, por pior que seja, sai melhor atriz. Você aprende melhor, porque você melhora ao ensaiar. E qualquer trabalho em televisão, por melhor que seja, te piora como atriz, porque você não ensaia.
Pergunta – O teatro é o território para se arriscar mais?
Marisa – Teatro é a pós-graduação do ator. É onde você estuda, onde você melhora.
Marisa – Teatro é a pós-graduação do ator. É onde você estuda, onde você melhora.
Acho que ficou bem claro o que eu quis dizer esse tempo todo. Mas, claro, todos sabemos que quando ela fala tem mais credibilidade. Não julgo os que pensam assim, só queria mesmo mostrar que, graças à Dionísio, não estou sozinha em minhas opiniões! Ufa! Obrigada Marisa!
Pra quem quiser ler a entrevista na íntegra, é só clicar aqui!
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Caixa (eletrônica) mágica
"Na televisão tudo é muito superficial. Só o teatro realimenta o ator. Ao fazer uma peça de teatro, ele é obrigado a, todo dia, melhorar e aprofundar sua interpretação". E não sou eu quem diz isso, são palavras de Paulo Autran!
Não sei se já disse isso aqui, mas não gosto de novela. A última trama que acompanhei foi "Senhora do Destino" (2004) e depois disso perdi o tesão! Algumas pessoas (principalmente as que não são do meio) me perguntam "mas você é atriz, como pode não gostar de novela?". Não consigo mais assistir, não tenho mais saco pra acompanhar o mesmo bolo sendo feito sempre do mesmo jeito trocando-se apenas a cobertura! Enjoa! Pra mim é um fato incontestável que as emissoras (principalmente a Globo, claro!) descobriram uma fórmula pra fazer novela e essa fórmula não pode ser muito alterada, pois nesse caso deixaria de ser a "fórmula do sucesso". Mas caramba, dá pra inovar? É sempre a mesma ladainha... Casal que se ama, mas não fica junto por causa de um vilão que acaba ficando louco ou morrendo, tudo se resolve na última semana e no último capítulo todos vivem felizes para sempre! Aaaah, me poupe! E sim, eu sei que nem toda trama se desenrola dessa maneira, mas a fórmula é a mesma, pode acreditar!
Bom, mas o que eu penso a respeito de novelas não é exatamente a questão aqui. Acontece que depois de muuuito tempo sem ter a menor disposição pra isso, ontem a noite tive o desprazer de assistir uma única cena. E só ela foi mais do que suficiente pra me embrulhar o estômago!
Telespectadores, por favor! Sejamos sensatos! O que é Paulo Betti tentando, em vão, interpretar um homossexual? Me deu um arrepio na espinha ao ver tamanha falsidade, desleixo e falta de bom senso de um ator! Não é possível que mesmo alguém que adore novela e não seja da arte não perceba o quão feio é isso! Interpretação caricata, nonsense e que, na minha opinião, chega a ser ofensiva!
Chamamos um palco italiano de "caixa mágica" e a televisão parece ser uma "caixa eletrônica mágica" onde tudo pode acontecer... Inclusive coisas absurdamente ruins que ferem o bom gosto e subestimam a inteligência do povão. E isso me fez pensar... E se não fosse na Globo? E se não fosse Paulo Betti? Provavelmente revistas e programas de fofoca estariam metendo pau e talvez já tivessem dado um jeito de matar o personagem, por que né... Pelamor!
Aí, como nada acontece por acaso, li a frase do grande Paulo Autran que iniciou essa postagem. Sim, o Paulo Betti já teve tempo suficiente pra procurar melhorar esse seu trabalho, mas parece que ele não está muito feliz com que está fazendo então de qualquer jeito tá bom. Por isso amo os diretores de teatro, que pegam no pé de um ator e xingam se preciso for. Por isso amo o teatro em si que aproxima o público e permite ao ator perceber quando não está agradando e isso pode motivá-lo a querer melhorar.
Por isso tudo digo que não precisa ser bom pra estar na TV. Basta ter um QI ou um rabo bonito... Estão aí ex BBBs que não me deixam mentir! Então, caros atores colegas de sofrimento, se é a fama da TV que almejam, aconselho que rasguem seus DRTs, esqueçam tudo o que aprenderam e vão assistir Paulo Betti na novela. Aparentemente, isso é o que funciona por lá! Eu continuarei por aqui, com a singularidade e simplicidade do teatro, muito obrigada!
sábado, 27 de dezembro de 2014
Retrospectiva 2014
Chegou aquele momento anual em que fazemos um balanço de tudo o que foi feito. Em breve um novo ano, um novo ciclo se inicia e é preciso pesar os acontecimentos, repensar projetos e aprender com erros para que não se repitam.
Pois bem... 2014 foi um ano com uma Copa do Mundo no Brasil bem no meio e meus colegas de profissão devem ter sofrido tanto quanto eu durante o período em que a seleção caminhava para perder de 7 pra Alemanha.
Mas como “tudo sempre acaba bem e se ainda não está bem, é porque ainda não chegou ao fim”, eu fui salva aos 45 do segundo tempo e meu final de ano profissional pós copa foi bem melhor que o resto do ano. De uma viagem a trabalho que já tinha dado como perdida à bancar Mamãe Noel num mês em que já não tinha esperanças de ter trampo... Fiz tudo, deu tudo certo e meu peru de natal foi garantido!
Do que ficou eu aprendi:
- que é importante ter esperanças, acreditar e que o espírito natalino existe;
- a me virar e improvisar pra fazer algo funcionar mesmo estando muito longe de casa;
- que novas amizades e antigas amizades podem se fortalecer e salvar os seus dias todos os dias;
- que 3 garrafas de cerveja com duas amigas numa piscina podem te fazer relaxar de maneira incrível;
- que ser versátil e pau pra toda obra tem suas vantagens;
- que por mais que você tente ser legal, têm gente que não merece sua educação;
- que já sabia, mas confirmei que ter harmonia no ambiente de trabalho muda tudo;
- que um banho frio é muito importante quando você viaja por horas no verão e todo mundo devia saber disso;
- que não se deve confiar demais em todo mundo;
- que algumas coisas são mais simples do que se imagina;
- que é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, digo,... É preciso saber amar!
- mais um monte de coisa que eu não vou conseguir lembrar agora, mas que também são muito legais.
Enfim, de tudo fica uma lição! E que o ano novo me aguarde, pois vou chegar com tudo!
Entre meus planos está um espetáculo cujo projeto foi iniciado esse ano, uma reformulação necessária no meu site e um curta metragem que está pra sair há algum tempo, mas que agora vai! Novos projetos, novos horizontes, corrida por papeladas que facilitarão minha vida e contatos profissionais em ação!
2015 tá chegando! Pode vir com tudo que estou pronta e se prepare que eu vou lhe usar!
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
(Des)Valorização
Sim, faz tempo que não posto nada aqui. tem muita coisa acontecendo na minha vida profissional nesse momento e eu estou achando tudo isso ótimo, é claro! Apesar de cansativo e de ter que abdicar de algumas coisas pra conseguir dar conta do trabalho, eu adoro essa correria!
Mas vamos ao assunto... Essa semana vi duas coisas acontecerem, ambas com o mesmo tema, digamos assim! Artistas que banalizam seu trabalho e por consequência desvalorizam o trabalho dos colegas de profissão.
Diz-se que arte não dá dinheiro, que não é valorizado, que não há incentivo... Ora, como valorizar, incentivar e conseguir lucrar com um trabalho que o próprio artista entrega de mão beijada?
Não sei qual foi o contexto, mas uma amiga de longa data, colega de profissão postou no facebook: "Amigos artistinhas, não desvalorizem o trabalho dos seus colegas. Não
prostituam (tanto) a sua arte. Tenham amor pelo próprio trabalho e pelo
trabalho do próximo. Faz bem pra todo mundo!"
Pouco tempo depois (em notícias não relacionadas a essa postagem) soube que um grupo de teatro teria oferecido seu trabalho gratuitamente para uma empresa que fazia cotações com vários grupos para a realização de sua SIPAT. Aí eu pergunto: dá pra concorrer com gratuidade? Se o que o contratante quer é economizar (como acontece na maioria das vezes), qualquer grupo que ofereça o seu trabalho por qualquer valor por mais em conta que seja, não tem chance contra um grupo que "dá de graça". E então, por mais que o contratante possa se arrepender caso o barato (ou o de graça) tenha saído caro demais, a cagada já está feita! O grupo em questão banalizou seu trabalho e os outros grupos deixaram de realizar um trabalho que manteria sua sobrevivência.
Começo a pensar que o que falta pra alguns artistas é se amar mais! Se valorizar pra ser valorizado! Saber cobrar pelo seu trabalho que em hipótese alguma sai de graça. Afinal, no mínimo é preciso gastar com alimentação e transporte e isso certamente sai do bolso de alguém.
Volto a dizer o que já disse em alguma outra postagem: Caros artistas, colegas de trabalho, colegas de sofrimento da profissão... Se dê o devido valor, se respeite, se ame! Caso contrário ninguém fará isso por você! Não reclame de falta de dinheiro se não sabe cobrar! E por fim, não puxe o tapete do colega porque você percorre o mesmo caminho e lá na frente, mesmo que na ponta do tapete, quem pode cair é você!
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Dia de reflexão sobre o dia
Hoje 19 de setembro, comemora-se o Dia Nacional do Teatro. Eu nem me lembrava que, há mais de um mês, tinha até programado uma postagem comemorativa na fanpage do meu site. Mesmo sem lembrar, me peguei pensando sobre o teatro. E agora que me lembrei o motivo disso, compartilho aqui meus pensamentos...
Você já foi ao teatro? O que é teatro para você? O que você pensa sobre o teatro? O que o teatro te faz pensar? O que você acha que o teatro é capaz de fazer? O que você gostaria que o teatro fizesse por você?
Como pode uma arte tão antiga ter tanto significado? Mas qual significado? O que significa "teatro" para você?
Já disse aqui muitas vezes tudo o que o teatro representa na minha vida. O teatro é tão parte de mim que mesmo quando não pude estar próximo fisicamente dele, dei um jeito de não afastar meu espírito e intelecto. Mas me pergunto o que o teatro representa pra outras pessoas... Não as pessoas que também fazem teatro, não. Mas as pessoas que não se sentem próximas à ele, não se deleitam com todos os benefícios que ele é capaz de proporcionar. O que essas pessoas acham que é teatro? Talvez pensem que "Sai de Baixo" era teatro (pra mim não era, se alguém quiser entender terei prazer em explicar, mas esse não é o momento), talvez pensem que mentir bem é ser um bom ator, talvez acreditem que teatro é coisa de vagabundo ou de quem nasceu com o rabo pra lua e conseguiu se desligar do verdadeiro fazer teatral para ficar famoso na TV. Quanto às pessoas que fazem teatro, pra ser sincera também tenho minhas dúvidas... Tenho medo de quem vê o teatro como uma grande oportunidade de aparecer, por exemplo. Ah, Senhores, sinto dizer... Nada disso é teatro! Ao menos não para mim! Mas também não vou ficar me repetindo, já que em tantas outras postagens minhas aqui, acredito ter sido bem clara sobre o que o teatro representa pra mim!
O teatro não precisa de um dia para ser comemorado, pois é celebrado cada vez que acontece! E é sempre uma comemoração única cuja força não pode ser registrada por dispositivos tecnológicos, ele nasceu para ficar gravado apenas no íntimo de seus espectadores.
Afinal porque escrevi sobre tudo isso? Bom, foi só uma reflexão sobre o dia do teatro, sobre tudo o que o teatro representa e pode representar pra tantas pessoas... Apenas um convite aos apaixonados por essa arte, reflitam comigo e respondam, intimamente, as questões que trouxe nessa postagem.
Feliz dia nacional do teatro! Merda sempre! Evoé!
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Artista
Pre.con.cei.to - sm (pre+conceito): 1. Conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados. 2. Opinião ou sentimento desfavorável, concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão. 3. Superstição que obriga a certos atos ou impede que eles se pratiquem. 4 Sociol. Atitude emocionalmente condicionada, baseada em crença, opinião ou generalização, determinando simpatia ou antipatia para com indivíduos ou grupos.
Não é novidade que artistas sejam marginalizados pela sociedade. Artistas são considerados vagabundos e no que diz respeito ao teatro, há anos ouvimos más línguas rotulando atores como homossexuais, promíscuos, maconheiros e atrizes eram registradas nas carteiras de trabalho como prostitutas até alguns anos atrás.
Se você é artista (não importa se ator, pintor, dançarino,...) e vive em situação financeira difícil porque arte não é valorizada como deveria, então todos ao seu redor te chamam de desocupado, te mandam crescer e procurar um emprego decente e ainda dizem que se você tivesse se formado em direito ou medicina já poderia ter sua casa própria hoje. Mas se você é artista e se dá bem na vida,... Aí a coisa muda completamente! A família que te repreendia passa a te idolatrar, os amigos que se afastaram porque você vivia sem tempo de tanto que se dedicava às artes, te ligam parabenizando pelo sucesso e querendo marcar um cafézinho. Então, o funcionamento disso tudo é bem simples: se você é um artista que corre atrás, mas não tem dinheiro pra esbanjar, você é um vagabundo. Mas se você é um artista que conseguiu ao menos 15 minutos de fama e algum dinheiro, pronto... Você é maravilhoso!
Ar.tis.ta - adj m+f (arte+ista): 1. Aplicador da arte. 2. Aquele que faz da arte meio de vida.
A sociedade generaliza, as pessoas adoram falar daquilo que não conhecem e assim nasce o preconceito! Ser artista não é pra qualquer um. Pra ser artista precisa ter a alma, ter cultura, ter consciência. Artistas têm a nobre função de levar cultura em todas as formas e com ela instruir, fazer pensar, educar e encantar. É um dom e não deveria ser marginalizado! Mas é! E não recebe a devida atenção, créditos e valorização. É por isso que alguns artistas desistem no meio do caminho e se rendem. É por isso que alguns artistas sequer gostam de serem chamados de artistas.
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| Por um artista de rua que faz belíssimas pinturas em pratos pelas ruas de Santos/SP. |
quarta-feira, 2 de julho de 2014
O ego e a raiz
Atores estão em evolução e aprendizado a cada nova experiência. Isso é um fato! Mas então porque alguns renegam duas origens? Quando a fama sobe à cabeça e o ego fica gigante, as pessoas tendem a se sentir superiores, insuperáveis e insubstituíveis. Por vezes, a fama nem é tão estrondosa, mas por menor que seja faz o artista se sentir maior e melhor do que realmente é ou poderia ser.
Porque estou filosofando sobre isso? Por que simplesmente não entendo o motivo pelo qual um ator sente enjoos quando é perguntado sobre uma peça que fez no passado e hoje por alguma razão acha ruim... Porque uma atriz não gosta quem mencionem sua participação na novela Chiquititas... Ou porque se arrepia ao ser lembrado que foi um mutante em uma novela... Enfim, não entendo porque o ego inflado faz atores repudiarem experiências vividas em sua carreira, se essas experiências foram degraus que galgados para chegar ao lugar em que estão hoje.
Se nesse momento você ator acredita que o trabalho que realizou no passado não foi bom, certamente na ocasião esse trabalho te ensinou algo, te fez crescer, evoluir e ser um profissional melhor hoje, então porque se arrepender? Pra que tentar esquecer de onde veio, pelo que passou, o que realizou por toda a sua carreira?
É esplêndido para qualquer artista ter seu trabalho reconhecido, aplaudido e reverenciado. Ter o ego acariciado é uma das melhores sensações que se pode sentir. A fama é efêmera e o ego um dia desinfla, então não se pode permitir que tomem conta, pois quando isso acontece, normalmente nos tornamos pessoas rudes capazes de qualquer coisa para manter a pose e renegar nossas raízes.
Lembre-se sempre quem você é! Tenha em mente que tudo o que você fez, de bom ou ruim, fazem parte de quem você é. Toda e qualquer experiência de um artista lhe torna único! Tentemos manter nossas raízes intactas e o ego controlado.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Publico respeitável
A essência do teatro é composta por um trio! Três pernas de um banquinho, três partes, três elementos indispensáveis: ator, personagem e espectador.
Há algum tempo participei de uma montagem de espetáculo que falava dos bastidores do fazer teatral... O nervosismo dos atores, os erros, os desentendimentos, enfim tudo o que faz parte do teatro e que passa despercebido para o público que só assiste o que vai para o palco. Na ocasião, um amigo que auxiliava na bilheteria fez um comentário sobre a plateia e como ela influencia no bom andamento do espetáculo. Posteriormente, essas observações foram incorporadas ao texto tornando o espetáculo ainda mais completo.
Está rolando por aí uma campanha chamada "Saia já do foco!", uma referência ao foco de luz criado no rosto de um espectador que mexe em seu aparelho celular na escuridão de um teatro durante um espetáculo. Isso tudo me fez pensar e nesse momento escrevo uma postagem no blog para falar do público.
Não se pode negar o quanto a tecnologia facilita a nossa vida cada vez mais, mas também não podemos negar o quanto ela também nos atrapalha, principalmente a internet que é um verdadeiro vício! Aí eu pergunto: porque uma pessoa sai do conforto da sua casa e paga ingresso para ficar de olho no celular enquanto um espetáculo teatral acontece diante do seu nariz?
Mas quem dera esse fosse o único ponto a ser discutido a respeito do comportamento do público... Há uma cultura desprezível chamada atraso! Aí você está lá sentado na plateia assistindo os primeiros minutos do espetáculo (que são importantíssimos para entender o contexto) e de repente uma luz surge ao fundo e você ouve um burburinho... É alguém chegando atrasado, abrindo a porta de entrada do publico e falando alto com o acompanhante sobre como será difícil encontrar lugar pra sentar na escuridão. Ah, faça um favor e chegue na hora marcada!
E como se a luz da tela do celular já não fosse suficientemente irritante, por vezes ouve-se um tocar e pra piorar tem gente que atende e ainda diz "tô no teatro e não posso falar". Aaaah, então você sabe que não pode falar no teatro? Então porque atendeu o celular, criatura? Infelizmente existem pessoas sem educação, sem cultura ou simplesmente sem "semancol" que faz essas e outras coisas nesse mesmo nível.
Vá ao teatro, sim! Prestigie! Mas vá com vontade, chegue na hora, desligue o celular, tire fotos sem usar flash, se tiver vontade de ir ao banheiro saia o mais discretamente possível, faça o dinheiro gasto no seu ingresso valer a pena ter sido pago, pois pode apostar que os atores estarão empenhados para apresentar o melhor espetáculo da sua vida. E se por acaso o espetáculo não estiver lhe agradando e você achar que acessar a internet pelo celular é mais interessante, tenha a decência de se retirar!
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Opinião de Maria Ninguém
Estava lendo uma matéria com trechos de entrevista com Antonio Fagundes, não porque a manchete diz que ele vai "contracenar com Sandy em filme de terror", mas sim por causa de alguns comentários dele. Como não consigo ficar quieta, vou compartilhar minhas impressões sobre algumas das frases dele.
Primeiro ponto a ser comentado: Ele diz ser "analfabyte" por opção, pois acredita que "ou você passa o tempo todo limpando sua caixa de e-mail ou vai fazer outras coisas, ler, trabalhar". Fácil pra um ator com 37 anos de Rede Globo! Se um ator sem essa vitrine e sem esse "nome feito" não tiver pelo menos um endereço de e-mail, meu caro amigo, ele simplesmente não trabalha! Vai um "não Antonio Fagundes" inventar de se esconder do mundo digital pra ver o que acontece.
Segundo ponto: Nas palavras dele "Sou muito pontual e exijo pontualidade de quem trabalha comigo." Perfeito! Pontualidade é algo que as pessoas deveriam prezar mais! Imprevistos acontecem sim, mas atrasos por atrasos são pura falta de educação e consideração por quem está esperando.
Terceiro ponto: "Atuar é a profissão mais disciplinada que existe. É rígido. Não entendo quem diz que é coisa de boêmio." Obrigada, Fagundão! Agora sim você falou bonito! Também não entendo as pessoas que acreditam que ser ator é fácil e não requer trabalho duro, sacrifícios e disciplina.
O quarto ponto foi o que mais me chamou atenção: "É uma coisa que me chateia muito. Sempre falam de ingresso mais barato
no teatro. O ingresso mais barato pro jogo do Flamengo custava R$ 250 e o
cambista vendeu por R$ 800. A gente que deveria estar cobrando isso, e
não o Flamengo." Fagundes, Fagundes, ah Fagundes! Esse é o sonho de todo artista! Mas infelizmente estamos no país do futebol e não das artes cênicas. Quem nos dera poder cobrar R$100 que fosse por um ingresso e ter casa lotada, mas a população prefere gastar esse valor numa noite na balada ou completar pra ver uma partida de futebol, não há costume, não há gosto, e quase não há educação para teatro. Até é possível vender ingressos por R$100, mas mesmo sendo Antonio Fagundes, não haverá casa lotada.
Eu, como todo artista da área, concordo que o teatro deveria ser mais valorizado. Mas cá entre nós, acredito que valha mais a pena cobrar R$1,00 por um ingresso e "fazer o teatro acontecer" atingindo as pessoas que estiverem assistindo e proporcionar o acesso ao maior número de pessoas, do que cobrar muito mais e ter meia dúzia de gatos pingados na plateia.
É minha opinião! Mas eu não sou Antonio Fagundes... Aliás, quem sou eu mesmo?
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Só pra esclarecer
É comum as pessoas pensarem que trabalhar com arte é fácil. Então eu pergunto: Não ser valorizado lhe parece fácil? Não ter hora pra acordar, pra dormir ou comer lhe parece fácil? Bater perna atrás de patrocínio e só ouvir "não" lhe parece fácil? Trocar o almoço com a família ou uma festinha porque precisa trabalhar lhe parece fácil? Pois não é! Não é mesmo!
Como se não bastassem as dificuldades inerentes da profissão de ator, ainda é preciso ter sangue frio e paciência pra aguentar perguntas como "Ah você é atriz, mas que novela você fez?", "Me manda um beijo quando for no Faustão?" e assim se segue até que alguém sem noção nenhuma do mundo diz "Ai que chique! Você deve ganhar muito bem!". A reação mais comum é aquele sorrisinho amarelo com cara de paisagem pra não mandar a pessoa praquele lugar!
Há ainda aqueles que acham que ator, palhaço e comediante é tudo a mesma coisa! Chegam pro ator falando mais ou menos assim: "Conta uma piada", "Faz alguma coisa engraçada!", "Anima a festa de aniversário da minha sobrinha? Você é ator mesmo!"
Pra piorar um pouco mais, há aqueles que não acreditam quando você chora de emoção porque "você é ator então interpreta 24 horas por dia e sete dias por semana". Esses pra mim são os piores! Interpretar não é mentir! Não sei quanto à outros atores, mas eu me incomodo muito quando pensam que estou fazendo tipo só porque sou atriz. Meu trabalho, toda minha interpretação, se restringe aos ensaios e apresentações!
Vamos deixar bem claro pra não haver dúvidas:
1- Ator e palhaço são coisas diferentes, apesar de ambos não receberem o devido valor. Você não pede pra um açougueiro cortar seu cabelo, então não peça pra um ator animar festa de criança.
2- Atores têm vida, são pessoas normais que riem e choram quando sentem vontade e, acredite, a maioria não fica fazendo gracinha por aí. Os que fazem não podem ser chamados de atores de verdade!
3- Ator ganha pouco! Então se puder ajudar (de verdade) de alguma forma, faça isso! Apoie, patrocine e, principalmente, prestigie! Não há recompensa maior que o reconhecimento!
4- Nem todo ator almeja trabalhar na TV, ficar famoso e dar entrevista no Jô... Mas todo artista merece respeito e consideração, trabalhando em uma grande emissora ou numa cia. de teatro amador.
5- Atores se sacrificam e ralam à beça, então faça o favor de não dizer-lhes que seu trabalho é fácil.
domingo, 6 de maio de 2012
A Consciência do Ator
O que separa o ator do personagem? Um ator empresta o próprio corpo e voz ao seu personagem, mas deve manter-se consciente como ele mesmo. É essa consciência que o permite lembrar de texto e marcações, improvisar se algo der errado e outros detalhes técnicos extremamente importantes para o bom andamento da trama encenada e ao mesmo tempo, ele deve ter a consciência do personagem... Aquela que sente, que vive a situação da peça, que tem sua própria história e experiências de vida. Mas o que os separa? São dois seres distintos. Um com toda a sua vivência pré-definida pelo autor da obra e outro que escreve sua própria história de vida todos os dias. A arte pode transformá-los em um só ser, ainda que individualmente. Confuso?
Se a consciência do ator e a do personagem devem estar em alerta simultaneamente e o tempo todo, então a linha que separa ambas é extremamente delicada. É como a linha do Equador, os Trópicos ou Meridiano de Greenwich... Linhas imaginárias! Divisões invisíveis, porém eficazes. Limites imensuráveis. Não podemos ver, nem tocar, mas sabemos que existem e estão lá demarcando.
Um ator que vive um vilão em uma novela corre o risco de ser xingado ou até apanhar na rua. A individualidade do ator é confundida com a do personagem. E não é à toa, já que aquela linha imaginária que os separa é tão tênue.
Não é de se admirar que existam histórias de atores que enlouqueceram. Que se viram tão inseridos no íntimo do personagem que se esqueceram de si próprios. Ainda que possam ser apenas histórias fantasiosas, não é mesmo algo para se pensar? Será possível um ator esquecer completamente de si mesmo e passar a viver a vida do personagem? Será que em algum momento as duas consciências podem deixar de coexistir e apenas uma imperar? Um ator pode deixar de existir como ele mesmo nem que seja por um segundo? E seguindo a lógica de que o personagem só se torna físico com o auxílio de um ator, poderia ele existir verdadeiramente por conta própria? Se o ator empresta o corpo e a voz ao personagem mantendo sua própria consciência, então realmente há limite entre os dois. E esse limite deve ser respeitado! Se o personagem morre, morre sozinho... O ator permanece vivo!
O ator deve convencer o público de que sente pelo personagem, mas não deve “sofrer” por ele. Se o personagem leva um soco e tem o nariz quebrado, o ator usará de artifícios para convencer que está sentindo a dor de ter o nariz quebrado. Ele não irá quebrar o nariz de verdade. O ator deve convencer, transmitir verossimilhança mesmo sem o uso de artifícios. Outro exemplo, uma atriz pode fazer o público acreditar que está sentindo contrações de parto sem sequer estar grávida. A intenção do ator de transmitir a verdade deve obter sucesso sem que ele precise “sofrer as consequências”. Um ator deve ser capaz de sentir pelo personagem sem que seja necessário sentir na própria pele, sentir por sua individualidade e consciência. É isso, é isso que os separa!
Se a consciência do ator e a do personagem devem estar em alerta simultaneamente e o tempo todo, então a linha que separa ambas é extremamente delicada. É como a linha do Equador, os Trópicos ou Meridiano de Greenwich... Linhas imaginárias! Divisões invisíveis, porém eficazes. Limites imensuráveis. Não podemos ver, nem tocar, mas sabemos que existem e estão lá demarcando.
Um ator que vive um vilão em uma novela corre o risco de ser xingado ou até apanhar na rua. A individualidade do ator é confundida com a do personagem. E não é à toa, já que aquela linha imaginária que os separa é tão tênue.
Não é de se admirar que existam histórias de atores que enlouqueceram. Que se viram tão inseridos no íntimo do personagem que se esqueceram de si próprios. Ainda que possam ser apenas histórias fantasiosas, não é mesmo algo para se pensar? Será possível um ator esquecer completamente de si mesmo e passar a viver a vida do personagem? Será que em algum momento as duas consciências podem deixar de coexistir e apenas uma imperar? Um ator pode deixar de existir como ele mesmo nem que seja por um segundo? E seguindo a lógica de que o personagem só se torna físico com o auxílio de um ator, poderia ele existir verdadeiramente por conta própria? Se o ator empresta o corpo e a voz ao personagem mantendo sua própria consciência, então realmente há limite entre os dois. E esse limite deve ser respeitado! Se o personagem morre, morre sozinho... O ator permanece vivo!
O ator deve convencer o público de que sente pelo personagem, mas não deve “sofrer” por ele. Se o personagem leva um soco e tem o nariz quebrado, o ator usará de artifícios para convencer que está sentindo a dor de ter o nariz quebrado. Ele não irá quebrar o nariz de verdade. O ator deve convencer, transmitir verossimilhança mesmo sem o uso de artifícios. Outro exemplo, uma atriz pode fazer o público acreditar que está sentindo contrações de parto sem sequer estar grávida. A intenção do ator de transmitir a verdade deve obter sucesso sem que ele precise “sofrer as consequências”. Um ator deve ser capaz de sentir pelo personagem sem que seja necessário sentir na própria pele, sentir por sua individualidade e consciência. É isso, é isso que os separa!
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