quinta-feira, 16 de julho de 2015

Exagero X Falta de noção

Ontem vi uma notícia na "capa" do Yahoo que me fez subir o sangue. Claro que quando se trata de notícias desse tipo em sites como esse, eu fico com os dois pés atrás, maaaas... 

A manchete diz que "Marisa Orth surta e chama fã de louca", mas gente peraí! Quem tá errado nessa história? A Marisa que "surtou" ou a retardada que queria entregar cartinha e ainda subiu no palco NO MEIO do espetáculo?  

A Marisa foi rude? Sim, com certeza e com razão! Talvez não precisasse "tanto", mas o que essa retardada esperava conseguir interrompendo um espetáculo?

 Aí comecei a pensar... Já compartilhei por aqui, até mais de uma vez, minha opinião sobre a TV e toda a comodidade gerada por ela. A televisão não é a única culpada mas, na minha opinião, tem grande parcela de culpa na alienação da sociedade. As pessoas estão perdendo a noção!

Eu não estava lá, nem sei se é verdade, mas vamos levar em consideração que aconteceu exatamente como diz o site. Sendo assim, uma criatura sem noção de ridículo queria entregar uma carta pra uma artista da qual é fã... Até aí ok, mas durante uma apresentação teatral? No meio do espetáculo? Cara, não dava pra esperar até o final? E pra piorar, encarou a "bronca" da atriz em cena como brincadeirinha e ainda subiu no palco!!! DIONÍSIO DO CÉU, ME ACUDA! Tem probleminha, filha?... E aí, a Marisa chamou a tapada de louca (com muita razão!) e ela é quem é crucificada? Alô imprensa, tá cheirando cola? Vocês acham mesmo que uma atriz deve interromper sua atuação numa peça pra atender uma fã? Se sim, não sei quem é mais retardado nessa história, se é a menina que foi ao teatro pra fazer essa merda ou se vocês que estão noticiando o acontecido como se a errada fosse a Marisa chamando o segurança pra tirar uma maluca do palco. Por favor, né gente!?

Vamos acordar! Vamos ligar o modo "semancol" do cérebro e pensar um pouco antes de agir!

E Marisa, tô contigo!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

2 anos watchatchá!

Em que você pensa quando se fala em entretenimento? E em festa de aniversário? O que dizer então quando o assunto é entretenimento em festa de aniversário? É fácil pensar em palhaços, esculturas em balão e coisas do gênero. Mas e se esse entretenimento, além de diversão, proporcionasse conhecimento? Então imagina uma maneira diferente e divertida de ensinar conceitos científicos no meio de uma festa de aniversário... E o nome disso é Mad Science!



 

Lembro da divertida genialidade do saudoso Mundo de Beakman e as experiências incríveis realizadas de maneira divertidamente simples por um cara de cabelo estranho. E eu nem poderia imaginar que um dia eu pudesse fazer algo sequer parecido. 





Hoje comemoro dois anos de criação da cientista maluca Lena Láctea. Com humor, criatividade e "falta de noção", seu nome não poderia ser mais ideal! Embora pareça viver com a cabeça no espaço, me surpreendo a cada vez mais com a vida que este personagem ganhou. Algumas de suas características foram absorvidas e aprendidas com cientistas esplêndidos, mas alguns aspectos parecem ter sido criados por sua própria conta e sem que eu tivesse qualquer controle. E assim, ela se tornou um dos personagens por que tenho mais carinho!

 
Sou grata pelo aprendizado que esse trabalho me proporciona e pela admiração que adquiri pelo mundo da ciência nesses dois anos. Sou feliz por ver sorrisos, os olhos brilhando das crianças e a expressão de admiração dos adultos. Agradeço pelas amizades que fiz neste ambiente de trabalho, com todas as risadas, maluquices e descobertas que vivemos juntos. E, enfim, por toda a diversão que esse trabalho proporciona! 


Não tenho um cara vestido de rato do meu lado, mas tenho cientistas tão malucos quanto a Láctea realizando coisas incríveis e instruindo crianças de todas as idades. E para tudo isso, nem mesmo o céu é o limite!


 


Watchatchá!

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Ganância

Vira e mexe me deparo com divulgações de espetáculos genéricos extremamente mal feitos de filmes Disney e equivalentes... Aí a criança vê o desenho da Galinha Pintadinha num cartaz e por mais que o nome do espetáculo seja "Mariazinha e a Galinha Pintadinha no Reino da Porcaria" (exemplo tosco, porém plausível!) a mãe leva a coitada da criança. A pobrezinha vai super acreditando que vai ver a Galinha Pintadinha do desenho, mas o que encontra no teatro é uma fantasia mal feita e uma maquiagem derretendo capaz de traumatizar até adultos.

Isso me incomoda de um jeito doido! A ganância por dinheiro é tão grande que faz pessoas montarem espetáculos de baixa qualidade para crianças, sem nem se importar com o estético ou com a história. E os pais, que muitas vezes não podem pagar mais por uma montagem apresentável ou acaba se deixando levar pelos desejos dos filhos, são obrigados a compactuar com a palhaçada toda pra desiludir ainda mais as crianças.

CALMA! Não estou dizendo que todos os espetáculos infantis que usam nomes de filmes famosos são ruins. Mas o fato de que a maioria é de uma qualidade deplorável, isso é simplesmente inegável!

Como profissional da área, sei bem como é difícil levar público para assistir um espetáculo infantil que não tenha o nome de um personagem famoso no título. Acreditem, eu sei! Mas peraí né, galera!

Caros pais e responsáveis... Também sei o quanto é osso pagar caro pra levar uma criança pra assistir "O Rei Leão" quando o ingresso de "A Turma de Madagascar" custa menos da metade. Mas façam um esforço! Conversem com seus filhos, juntem um pouquinho mais de grana, mas POR FAVOR... Se é pra levar criança ao teatro, que seja pra assistir algo de que ela vai gostar, algo que valha a pena o dinheiro gasto no ingresso, algo de que ela vai se lembrar com alegria e não com trauma por ver uma Peppa Pig gigante com olhos pintados de branco onde deveria estar a boca.

Caros colegas de trabalho... Invistam! Pra ganhar dinheiro é preciso gastar dinheiro! E, se tratando do público infantil, não economizem! É foda pagar direitos autorais, dói o bolso pagar caro por um figurino bem feito e um cenário prático e bonito sim! Mas vale a pena! Experimenta montar um espetáculo sem título famoso e sem personagem plagiado e corre atrás, cara! Vai correr por patrocínio, nem que seja "vaquinha virtual", mas tá valendo! Vale a pena pela qualidade de seu próprio trabalho, vale a pena fazer algo bem feito, vale a pena ver crianças felizes, vale a pena lucrar pouco no começo até que a montagem conquiste público com o boca a boca... Vale a pena!

Sejamos menos gananciosos! Vamos pensar mais no público do que em nós mesmos, pois sem público não há espetáculo!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Missão dada é missão cumprida!

Em fevereiro fiz uma postagem sobre uma boa notícia, uma nova missão que aceitei com muito gosto... Ministrar uma oficina de teatro!

Iniciei o trabalho e fui conhecendo as duas turmas (manhã e tarde), explorando possibilidades individuais e coletivas, espremendo, experimentando, moldando.

Hoje, tive o incrível prazer de assistir as duas montagens feitas com meus alunos. Fiquei ansiosa, nervosa, um tanto à flor da pele,... Arrepiada, emocionada e, finalmente, orgulhosa! 

Por mais que tente, não consigo descrever de maneira fiel tudo o que senti durante todo esse período e, principalmente, no dia de hoje. 

Só sei que foi tudo lindo! Longe de ser perfeito, um tanto distante do que realmente havia concebido em minha mente, mas lindo! 

As apresentações apresentaram falhas e algumas delas podem ter sido conduzidas por mim, tenho plena consciência disso. Mas afinal, quando uma apresentação é impecável? O que é perfeição? Será que isso existe? Tenho lá minhas dúvidas! E por esse e outros motivos, no dia de hoje, me sinto feliz, realizada e com aquela sensaçãozinha de dever cumprido que insiste em colocar um sorriso largo no meu rosto (depois de chorar de emoção, é o mínimo que se espera! hehe).

Sou imensamente grata à amada amiga Riane Zohar pela indicação e confiança. Agradeço ao CCA São João Batista pela recepção de braços e coração abertos todas as quartas-feiras, principalmente ao Robson  pela aposta e a Debora por agora me emprestar para o mundo. Agradeço ao meu marido pela cessão dos textos e música e pelo apoio de sempre. Mas agradeço principalmente aos meus alunos! Sou grata por todo o carinho, pela confiança de me permitir conduzí-los para montagens tão singelas, bonitas e repletas de mensagens positivas! 

Obrigada por tudo, meninada! Vocês arrasaram! Vocês ARRASAM todos os dias! Merda hoje e sempre! Merda! Sucesso em tudo que fizerem na vida! E acreditem: Vocês são capazes de qualquer coisa e juntos são mais fortes!

Sei que muitas coisas vão mudar agora, mas procurem não se esquecer dos ensinamentos, das mensagens passadas em cena hoje, do que é possível fazer com trabalho em equipe. Tentem não esquecer de mim, porque eu... Não os esquecerei jamais!

Até uma próxima oportunidade! E parabéns pelo trabalho! Juntos realizamos tudo isso, pois sabemos que missão dada é missão cumprida!





















Beijos!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Mais um "filho" que nasce com saúde

Já falei aqui sobre a esquete "A Família Gildézia", apresentada em 2011 dentro do espetáculo "As Mancadas Nossas de Cada Dia". Pois bem! No ano seguinte, a esquete ganhou uma espécie de continuação e o sucesso foi igualmente surpreendente e animador! Depois disso, surgiu a vontade de juntar as duas esquetes, melhorá-las, encorpá-las e transformar num espetáculo completo!

O texto demorou para ficar pronto, foi modificado diversas vezes e várias versões foram feitas. Mas a montagem mesmo não saiu e o projeto foi engavetado. No início desse ano, "A Família Gildézia" não estava nos planos, mas quis o destino que ficássemos exatamente com o número de pessoas necessária para formar o elenco da "Família"... Pelo menos era o que nós pensávamos! 

É impressionante a falta de compromisso de algumas pessoas. Independente de você ser aluno de um curso de teatro, ou ator profissional, ou amador, ou bolsista... Honre seus compromissos e não ferre os colegas! Pra resumir... Por medo, por falta de vergonha na cara, por falta de responsabilidade, falta de compromisso e até por filha da putagem, nós "perdemos" (pra não dizer que nos livramos de) ao menos 7 pessoas! É muito furo pra tão pouco tempo! Mas isso não nos abalou! 

Mesmo com todas as adversidades, das mais inimagináveis, conseguimos estrear essa montagem tão querida e esperada não somente por nós, mas também por amigos que conheciam a história dessa família baiana. Mais um filho da Katinsk Produções nasce saudável!

Fiquei muito feliz com o resultado final, com a público de 60 pessoas numa noite fria e chuvosa de domingo num espaço que acomoda 100 pessoas. Saldo mega positivo em vários quesitos! Claro que não foi perfeito, mas nada que empobreça ou diminua o brilho da montagem. 

Agradeço imensamente a todos que nos prestigiaram! Ao elenco, verdadeira família, agradeço a confiança e companheirismo! Agradeço até as pessoas que talvez pensem conseguir nos prejudicar, mas que na verdade só nos deixam mais fortes e capazes de superar qualquer obstáculo.

Em nome da Cia. agradeço o acolhimento da Casa de Cultura Salvador Libague. E aproveito para convidar todos para a reapresentação dessa comédia nordestina no dia 14 de junho às 20h no mesmo local.

Elenco, da esquerda para direita: Lucia Costa, Gercilene Santos, Jorge Katinsk, Janaina Eloa e eu, Hellen Bravo.
"A Família Gildézia" espera por vocês no dia 14 com muita alegria e amor! Evoé!... Eita Porra! ;)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Adolescentes

Na última postagem falei sobre fazer teatro para crianças... O que dizer então sobre teatro para adolescentes?

No fim do mês de abril, em meio há muitos acontecimentos, comecei a ensaiar um novo espetáculo: "Tem muito lobo mau disfarçado de vovozinha. Cuidado pra não ser a próxima vítima!". Um trabalho de muita responsabilidade, pois trata sobre bullying, bagunça na escola, primeira balada, drogas, namoro consciente, sexo na adolescência, abuso sexual e amizade.

Foram dias seguidos de ensaio intenso e muita diversão. E quando o elenco se dá bem o resultado só pode ser positivo como realmente foi!

Fizemos uma pré estreia de arrepiar com ótima receptividade do público. A estreia pra valer aconteceu no Paraná com a presença das autoridades locais. Foram dois dias incríveis! A certeza de estar indo pelo caminho certo só aumentou e a sensação de bom trabalho é maravilhosa!






























Essa postagem é mais um agradecimento! Agradeço imensamente por esse trabalho bacanérrimo com essa equipe do bem e que se dá bem e com uma proposta pra lá brilhante! 
 
É um privilégio e um imenso prazer fazer parte disso!

Vamos seguindo adiante levando este instrumento de divergência, advertência, ensinamento, documentação e instrução para todo o Brasil!

Merda hoje e sempre! Evoé!

sábado, 4 de abril de 2015

Para crianças

Há quem menospreze o teatro infantil. Na minha humilde opinião, ator que diminui um ou mais gêneros teatrais é, no mínimo, um medroso! É natural que sintamos afinidade com um determinado gênero, mas isso não é motivo para depreciar outros. Afinal, um bom ator faz de tudo... Da comédia à tragédia com o mesmo profissionalismo e entrega de corpo e alma.

Quem esnoba o teatro para crianças só tem a perder, pois esse é, simplesmente, o público mais sincero, crítico e disciplinador para um ator. Aquele ator que subestima o público infantil deve ser um adulto frustrado, que não teve infância e não entende a importância da cultura na formação de um caráter! 

Se o teatro tem a função de divertir, ensinar, documentar e instruir, nada mais justo do que provocar o gosto por essa arte ainda na infância. Se hoje tantos reclamam da falta de educação do público adulto, talvez isso se deva à falta de incentivo durante a infância desse público.

Eu já disse aqui e repito que acredito que um ator nunca para de aprender. Evoluímos a cada ensaio, apresentação e gênero trabalhado. Acredito também que nenhum gênero deva ser desprestigiado, muito menos o infantil que nos proporciona um jogo de cintura em cena como nenhum outro.

Pois bem, na última semana tive mais uma vez o prazer de trabalhar para esse público tão delicado. E não vou mentir, cometi erros! E acho isso ótimo, pois é errando que se aprende! A vida resume-se em errar para consertar, fazer melhor pra poder cometer novos erros e assim melhorar sempre num ciclo sem fim!

"Vida Saudável - As Aventuras da Coelhinha Xang-Bom". Foi uma montagem de páscoa... Sim, com todo o calor inerente do nosso país potencializado por figurinos de pelúcia, mas TUDO VALEU MUITO A PENA! Não existe nada mais gostoso do que ver o sorriso no rosto de uma criança, sentir o quanto estão curtindo, se divertindo, se encantando e aprendendo. E quando a companhia é boa, tudo fica ainda mais fácil e divertido. 
























Obrigada meus companheiros de cena, obrigada CIAVIP por esse lindo trabalho. Continuemos levando o teatro onde o público está, levando arte pra que todos possam apreciar, levando cultura para todos!

Agradeço ao Pai Maior por me presentear com essa dádiva. Por me permitir levar arte e educação à esses pequenos, por me proporcionar a graça de encantar. Por me agraciar com o dom de atuar!

E àqueles que não curtem trabalhar com e para crianças... Não sabem o que estão perdendo!

segunda-feira, 30 de março de 2015

Química cênica

Quando você se dá bem com alguém tudo fica muito mais fácil, some isso à uma química em cena e terá um espetáculo incrível!

Tenho alguns colegas com quem me dou muito bem em cena e fora. Nem vou citar todos pra não correr o risco de cometer a injustiça de esquecer o nome de alguém, mas essa semana aconteceram duas coisas que provam o quanto uma boa química cênica é importante e o quanto isso ajuda.

No começo dessa semana tive o prazer de ensaiar pra preparar uma nova peça com uma colega de trabalho muito bacana e que esteve afastada dos palcos e do país... Já nos dávamos bem e ensaiando observamos o que já desconfiávamos, temos uma química cênica incrível! Prova disso foi a facilidade em que deixamos o espetáculo pronto. Obrigada pela confiança e pela parceria, Elaine Oliveira. Que venham mais oportunidades como essa!

Ontem estive em cena com um grande colega de trabalho também. Não ensaiamos, nem sequer combinamos absolutamente nada, apenas sabíamos o que deveria ser feito e só! Estávamos com uma energia sem igual, parecíamos duas crianças atentadas. Brincamos, nos divertimos e o mais importante: divertimos nosso público infantil e adulto simultânea e naturalmente! Foi impressionante, delicioso, revigorante, divertido, WATCHATCHÁ (Entendedores entenderão)!!! Obrigada, Tiago Prates! Seu caminho será belo, pode confiar! E no que eu puder se útil, pode contar... No mais, estarei sempre na torcida!

Estou feliz por tudo isso! E só por isso senti vontade de fazer essa postagem hoje. Esse ano promete ser muito positivo no meu campo profissional, mas eu não esperava tantas gratas surpresas! Estou muito feliz e sou muito grata por tudo! Tenho amigos incríveis, colegas de trabalho de quem sou verdadeira fã! Obrigada por fazerem parte da minha vida e da minha estrada. 

MERDA PRA TODOS NÓS!

terça-feira, 24 de março de 2015

As lições

O que aprendi com o teatro? Bom, em primeiro lugar eu aprendi que nunca vou parar de aprender. Viver é um constante aprendizado e, se a vida imita a arte e o teatro representa a vida, então fazer teatro é aprender a cada nova experiência. Aprende-se o tempo todo e até sem perceber! São valores que um ator deve ter sempre consigo durante seu fazer teatral e que todo aquele que vive em sociedade deve praticar diariamente. Com o teatro eu aprendi...

- Que saber ouvir é primordial
Não basta ouvir. É preciso estar atento e compreender o que se ouve! De que adianta você estar ouvindo o que o colega de cena fala esperando a sua deixa e se ela for dita de maneira diferente da prevista você se embananar todo porque não estava prestando atenção?

- A ter comprometimento
Horário é horário, então não chegue atrasado. Quando você se atrasa você atrapalha o trabalho de todo o grupo e não apenas o seu. Tenha comprometimento com o que faz e faça de coração! Estude, leia, decore e não ferre os colegas.

- A respeitar. Você não é melhor do que ninguém!
Do cara que está no palco até o cara que dá o play na sonoplastia... Todos têm a mesma importância! Do cara que veste e branco e te examina num consultório até o cara que varre a rua... Todos merecem o mesmo respeito! E seguindo essa linha de pensamento...

- Que no teatro não há espaço para egos inflamados
Não existe personagem pequeno. Cabe ao ator dar o melhor de si e fazer o personagem ganhar destaque com seu trabalho.

- Que aquecimento é importante
Se não der uma bela alongada no corpo, uma aquecida e, principalmente, se não cuidar da voz... Esqueça! Você vai terminar cada apresentação com dores terríveis pelo corpo, com dor de cabeça e sem voz.

- A ter calma e respirar
É uma droga prestar atenção na própria respiração, pois parece que ela sai do "automático". Mas essa automação deixa nossa respiração toda errada. A correria do dia a dia faz isso com a gente! Então tenha calma e respire sempre... Sinta seus pulmões se encherem de ar, seu diafragma se dilatar e me agradeça ao perceber o quanto isso ajuda na sua projeção vocal. De nada!

- Que brincadeira tem hora
Não queira ser o engraçadão da turma. Há o momento certo e a maneira certa de brincar.

- A olhar nos olhos
Quem desvia o olhar normalmente está mentindo. Encare seus colegas, procure olhar nos olhos de seu interlocutor e uma química inexplicável se dará, você vai ver!

- A deixar os problemas do lado de fora
Você tem problemas? Todo mundo têm! Mas é preciso deixá-los do lado de fora e permitir-se submergir no universo teatral, seja numa simples aula ou num ensaio e, principalmente, em dia de apresentação. Ninguém vai ao teatro pra saber dos seus problemas, mas sim para acompanhar os conflitos dos personagens e a história do espetáculo.

- Que se o mundo é um ovo, o universo teatral é ainda menor
O mundo gira, caro colega! Hoje quem diz não, amanhã pode precisar que alguém lhe diga sim. E nesse meio você sempre vai precisar da ajuda de alguém, pra alguma coisa, em algum momento. Vamos falar o Português bem claro... Existe muito filho da puta no mundo e no meio artístico existe o dobro! Apenas não seja um deles e fique esperto pra não ser passado pra trás por eles. Lembre-se: Não é preciso usar ninguém de degrau pra conseguir subir na vida!

Pra encerrar deixo um conselho: Quando você achar que está bom, saiba que ainda é possível melhorar muito!

sexta-feira, 6 de março de 2015

A opinião não é só minha

Recentemente eu fiz duas postagens falando um pouco da minha opinião sobre televisão e tudo o que isso envolve. Pois bem, quando eu falo provavelmente ninguém dá trela, então passo a palavra pra uma das atrizes mais talentosas do país e que, assim como eu, ama o teatro... Marisa Orth!

Aqui vão algumas passagens de uma entrevista recente dela:

Pergunta – Você acha que representar é um dom?
Marisa Orth – Acho que é uma missão. Ou é uma coisa de outra encarnação ou é uma neurose muito precocemente adquirida, o que pode ser também.

Pergunta – Sobre o estigma das atrizes…
Marisa – Tem o estigma de que a atriz é falsa, tem o estigma de que a atriz é fácil, porque ainda pega o negócio de beijar na boca de qualquer um, é incrível. Fico chocada, mas tem. O pessoal acha que é muito divertido fazer cena de sexo e é um horror. Uma semana antes, a gente fica desesperada porque vai ter a cena de sexo. E atire a primeira pedra a atriz que faz isso muito à vontade porque é dificílimo. `Ah, mas se você tiver tesão pelo…´ piorou! Graças a Deus, por obra do Divino, eu nunca estive em situações assim. Porque se você tem algum interesse na pessoa, aí é mais constrangedor, é horrível. A gente tem essa separação do corpo, por obrigação. Não que a gente seja devassa, não é nada disso. Dá muito bem para você beijar e não estar beijando. Assim como existe a situação na vida em que você está sentada perto da pessoa, sem nem tocar, e está rolando um clima absurdo! Pelo amor de Deus., é incrível que as pessoas não acreditem nisso. Então, o estigma da falsa, o estigma da fácil e a fama. A fama é outro estigma.

Pergunta – Você tem o famoso tempo da comédia. Aliás, como você define esse tempo?
Marisa – Um ritmo. É uma coisa musical. É muito exato. Por isso é que se costuma dizer que comédia é mais difícil do que drama. E porque não se aprende. Você conhece alguém da sua família que não sabe contar piada e começou a contar bem piada?

Pergunta – Não, mas mesmo assim insiste em contar.
Marisa – Exatamente, toda família tem uns dois, três. Lá vem de novo…

Pergunta – O seu lado musical te ajudou como atriz? Ajuda ainda?
Marisa – Sim, ajuda muito. Eu acho que não existe bom ator sem ouvido musical.

Pergunta – Por causa do ritmo?
Marisa – E do ouvido. Assim como pela nota musical da frase. Porque um cara que não tem ouvido musical, quando o diretor fala ‘mais doce´, ele abaixa o volume. Não, ‘mais forte´, ele aumenta o volume. Mas a sequência de notas da frase ele não é capaz de mudar.

Aí vem a parte que realmente gostei e que me deixou muuuuuito feliz...

Pergunta – E o teatro é a arte do ator, como se costuma dizer?
Marisa – É. Teatro é delícia. Primeiro, porque você estuda, pode repetir. É como um quadro, você ensaia dois meses. Aqui eu vou fazer esse gesto, aqui eu vou fazer essa boca, aqui não sei o quê lá. Você apresenta um trabalho mais bem-acabado, ensaiou dois meses aquilo, três, às vezes. Eu sempre digo que qualquer peça que você faça, por pior que seja, sai melhor atriz. Você aprende melhor, porque você melhora ao ensaiar. E qualquer trabalho em televisão, por melhor que seja, te piora como atriz, porque você não ensaia.

Pergunta – O teatro é o território para se arriscar mais?
Marisa – Teatro é a pós-graduação do ator. É onde você estuda, onde você melhora.


Acho que ficou bem claro o que eu quis dizer esse tempo todo. Mas, claro, todos sabemos que quando ela fala tem mais credibilidade. Não julgo os que pensam assim, só queria mesmo mostrar que, graças à Dionísio, não estou sozinha em minhas opiniões! Ufa! Obrigada Marisa! 

Pra quem quiser ler a entrevista na íntegra, é só clicar aqui!